Sobre pirataria, o final de Lost e a focaccia

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Assistimos ontem ao final de Lost na AXN. Assistimos parte da série na TV paga e parte baixando e chegamos à conclusão que, graças ao desrespeito do canal e das operadoras de TV em geral, a pirataria compensa, e muito. E a questão não é apenas ser ou não de graça, já que eu sou do tipo que costuma pagar sem pestanejar, se eu tenho o dinheiro. Tem a ver com a qualidade da experiência mesmo.
- Na TV paga, você assiste ao episódio com milhões de comerciais. Baixando, sem nenhum, ou apenas com poucas coisas colocadas nos cantinhos das imagens. A SKY tá com uma campanha agressiva para a HDTV e está colocando na parte superior de quase tudo um "mude para melhor" em um destaque meio grande, que cobre uma parte que às vezes é importante na imagem. E não adianta eu clicar para ver o anúncio uma vez - não dá pra comprar direto no controle remoto, nem para de exibir o anúncio.
- Na TV paga você assiste, geralmente, com muita diferença da exibição original no exterior. Desta vez, ponto para a AXN, que exibiu com apenas dois dias de diferença. Mas mesmo assim, para os mais afoitos, baixar compensa - se quiser ver sem legendas, tem até gente que faz streaming para você matar a ansiedade ao vivo.
- Na TV paga, em geral, as legendas são medonhas. E pensar que são feitas por profissionais! A AXN se desculpou sobre os primeiros episódios desta temporada, dizendo que pegaram por engano a tradução de português de Portugal. As legendas dos episódios baixados nem sempre são boas, mas pelo menos foram feitas por amadores, que não têm obrigação nenhuma de fazer tudo com perfeição.
Sei que estou chovendo no molhado. Mas a não ser que as TVs corram atrás do prejuízo, a próxima "série do momento" eu vou é baixar mesmo.
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Sobre o final de Lost em si: não achei ruim como todo mundo falou. Se você não quer ler mais sobre isso, pare agora.

 Gostei de ver o Vincent no último episódio.

Gostei muito de quase todas as temporadas, tirando a terceira, e estava gostando bastante da quinta. Mas na sexta, a trama foi para um lado que eu não imaginava. Acabou que explicou parcialmente algumas coisas (poucas) e não explicou nada de importante mesmo. O que era a Dharma? Apenas uma distração na trama. O que era o Widmore e o que ele realmente queria? Sei lá, não importa, tanto que ele morreu sem grande importância no finzinho. O que era o Homem de Preto e por que ele não podia sair da ilha? Nunca falaram de uma regra que o impedisse de sair da ilha (note que sempre falam das coisas "proibidas" citando nominalmente "são as regras", ou "regras impedem que os dois se matem").

O que realmente me incomodou foram três coisas:
- a súbita importância do Jack nos últimos episódios. Ele já havia perdido a importância em relação às outras subtramas, não era mais "o protagonista". Mas aparentemente, gostaram da idéia de colocá-lo como grande herói. Não curti, não gostava tanto assim dele.
- a súbita desimportância do Desmond e de tudo que dizia respeito a ele. Depois que ele entra na caverna e tira a rolha da ilha, acabou. E não podia ser assim, ELE era a singularidade, não o Jack! Ele tinha que ser o salvador, ou seja lá o que for. E a relação com a Penny, que poderia ser um grande fio condutor da história, foi deixada em segundo plano.
- o sumiço completo do Michael e do Walt. Eu achava que o Walt era importante!

Tirando isso, a parte boa é que fiz uma focaccia in-crí-vel e super simples para comermos enquanto assistíamos. Um ovo, fermento de pão, 500g de farinha, uma colher de açúcar e o quanto baste de sal e água morna. Deixe crescer uma vez numa bacia, outra vez já aberta em uma forma untada com bastante (BASTANTE MESMO) azeite. Cobrir com o que tiver de gostoso na geladeira, o que no nosso caso significou cebola, tomatinhos, alecrim e alho torrado.

One Response to “Sobre pirataria, o final de Lost e a focaccia”

  1. E Eloise Hawking? E viagens no tempo? E o Daniel? E o Miles? E o Jacob tinha premonições? Como ele tira as pessoas do sofá da sala de estar e leva para uma ilha? Como ele saiu (depois de morto) e foi falar com Wildmore? E as pessoas que ficam fora da ilha? O que aconteceria se o falso locke saísse? Como o MIB virou monstro de fumaça? O que são "as regras"? O último grande episódio perdeu-se no meio da 4ª temporada.
    Caríssima, concordo plenamente.
    Uma pena o que fizeram com a série.
    Muita gente se enrolou quando os produtores quiseram transformar a história (e, em especial o último capítulo) em uma Novela do Manoel Carlos. Todos se encontrando na Igreja (como acontece nos casamentos de fim de novela) para reencarnar (quem sabe em uma novela tipo "A Viagem") e só faltou começarem a construir prédios na ilha e chamar de Lost Leblon. Uó!
    A trama central da história, o que ligava todos os personagens, sempre foi a ilha. E desta trama, nada se explicou.
    Legal a historinha dos personagens (todos coadjuvantes)... etc etc... mas o que importava era o "porquê" de tudo isso. E isso, minha cara, não foi respondido.
    LOST sempre foi uma série sobre a fé (fé na ilha) e a ciência. Não sobre religiosidade. O final ter se passado em uma igreja mostrou o quanto esta última temporada nada teve a ver com Lost.
    Enfim. Desabafei.
    Ah! E amei a idéia de comer focaccia!