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O sonho da casa própria! Agora estou aqui: http://blog.picoli.com.br

Os três prazeres da narrativa nos games

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"Um dos primeiros e mais sólidos esforços de explicar a origem do prazer de fruir uma narrativa interativa foi feito por Janet Murray em Hamlet no Holodeck. De acordo com Murray, as narrativas possibilitadas pelo computador (entendido num sentido genérico que engloba os videogames, a realidade virtual e todo tipo de narrativa digital interativa) acarretam três prazeres característicos que dão continuidade às tradições narrativas anteriores, mas que, sob outros aspectos, são únicos, especialmente quando combinados entre si: imersão, agência e transformação. A tranformação se refere à capacidade de por em movimento narrativas com múltiplos enredos e papeis e que podem mudar de forma à medida que são contadas e afetadas pela participação do receptor. Embora esse aspecto possa ser encontrado em muitos jogos eletrônicos, tais como os MMORPGs (World of Warcraft, Age of Conan, Everquest etc.), não é o caso de Prince of Persia, um jogo linear single-player, feito para ser jogado sozinho e no controle de um único personagem. Focarei, portanto, nos outros dois aspectos.
A imersão não é novidade. Murray a define como “a experiência de ser transportado para um lugar primorosamente simulado (…), independentemente do conteúdo da fantasia.” É o que as descrições e ilustrações dos livros e a produção de arte dos palcos e estúdios de cinema tem feito há séculos. Corretamente estimulada, nossa mente devora fantasias e se entrega totalmente a elas, desde que o transe imersivo não seja arruinado por algo que nos faça lembrar que aquilo é apenas representação. É paradoxal: para seguir acreditando num mundo de fantasia e sentir-se imerso nele, é necessário afastá-lo um pouco para preservá-lo da contaminação da realidade. Isso fica claro quando a chamada “quarta parede”, termo que os dramaturgos cunharam para se referir à separação entre o palco e a plateia, é violada. Quando um ator busca a participação do público ou um personagem de um filme olha para a câmera e diz algo como “isso é só cinema”, o transe imersivo é fraturado. A arte moderna se refestela brincando com esse tipo de coisa, com resultados variados.
No mundo dos jogos eletrônicos, contudo, as regras parecem ser outras. Jogos são participativos por definição. Sem nossa intervenção voluntária constante, eles não acontecem. Quando o assunto é envolvimento narrativo, participação e imersão andam de mãos dadas nos videogames. A participação não é uma exceção à regra; ela é a regra. Suspender a participação do jogador é o que rompe a imersão num videogame. Nenhum jogador gosta de ser guiado por um cenário ou submetido a longas sequências não-interativas. Ele quer apertar botões, escolher para onde ir, disparar armas de plástico contra a tela ou golpear com o controle sensível a movimentos do Nintendo Wii como se fosse uma raquete ou espada e ser constantemente confrontado com um mundo que precisa decifrar, solucionar e modificar ativamente.
Quando o jogador consegue agir nesse mundo de fantasia e desfrutar do resultado dessas ações de maneira prazerosa, ocorre o que Murray denomina agência. Você olha para o alto e enxerga um fabuloso detalhe do cenário somente porque decidiu olhar para o alto e executou o comando correspondente no joystick. Você dá uma raquetada com seu Wiimote e a bola virtual vai na direção que você pretendia e Rá!, você acaba de quebrar o saque de seu amigo otário. Você dá um tiro no tonel de óleo diesel e ele explode com uma animação vibrante e um som crocante de explosão. Bum! De quebra, você lançou aos ares o corpo de um inimigo oculto, que voa em chamas e ricocheteia numa parede, morto, fora do seu caminho. Você fez mira e pressionou um único botão; a resposta da arma foi imediata, o ruído do disparo fez cócegas no ouvido de tão realista, o furo apareceu exatamente no ponto do tonel em que você tinha mirado, e todas essas coisas sensacionais aconteceram e agora você está mais perto de salvar a própria pele, ou o mundo, ou de resgatar sua amada, ou de destruir tudo sem nenhum motivo. Não importa o objetivo, e sim o prazer da agência. O mundo reagiu deliciosamente à sua intervenção. Eu fiz isso."
  
Trecho do artigo de Daniel Galera publicado na revista Serrote.

Sobre pirataria, o final de Lost e a focaccia

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Assistimos ontem ao final de Lost na AXN. Assistimos parte da série na TV paga e parte baixando e chegamos à conclusão que, graças ao desrespeito do canal e das operadoras de TV em geral, a pirataria compensa, e muito. E a questão não é apenas ser ou não de graça, já que eu sou do tipo que costuma pagar sem pestanejar, se eu tenho o dinheiro. Tem a ver com a qualidade da experiência mesmo.
- Na TV paga, você assiste ao episódio com milhões de comerciais. Baixando, sem nenhum, ou apenas com poucas coisas colocadas nos cantinhos das imagens. A SKY tá com uma campanha agressiva para a HDTV e está colocando na parte superior de quase tudo um "mude para melhor" em um destaque meio grande, que cobre uma parte que às vezes é importante na imagem. E não adianta eu clicar para ver o anúncio uma vez - não dá pra comprar direto no controle remoto, nem para de exibir o anúncio.
- Na TV paga você assiste, geralmente, com muita diferença da exibição original no exterior. Desta vez, ponto para a AXN, que exibiu com apenas dois dias de diferença. Mas mesmo assim, para os mais afoitos, baixar compensa - se quiser ver sem legendas, tem até gente que faz streaming para você matar a ansiedade ao vivo.
- Na TV paga, em geral, as legendas são medonhas. E pensar que são feitas por profissionais! A AXN se desculpou sobre os primeiros episódios desta temporada, dizendo que pegaram por engano a tradução de português de Portugal. As legendas dos episódios baixados nem sempre são boas, mas pelo menos foram feitas por amadores, que não têm obrigação nenhuma de fazer tudo com perfeição.
Sei que estou chovendo no molhado. Mas a não ser que as TVs corram atrás do prejuízo, a próxima "série do momento" eu vou é baixar mesmo.
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Sobre o final de Lost em si: não achei ruim como todo mundo falou. Se você não quer ler mais sobre isso, pare agora.

 Gostei de ver o Vincent no último episódio.

Gostei muito de quase todas as temporadas, tirando a terceira, e estava gostando bastante da quinta. Mas na sexta, a trama foi para um lado que eu não imaginava. Acabou que explicou parcialmente algumas coisas (poucas) e não explicou nada de importante mesmo. O que era a Dharma? Apenas uma distração na trama. O que era o Widmore e o que ele realmente queria? Sei lá, não importa, tanto que ele morreu sem grande importância no finzinho. O que era o Homem de Preto e por que ele não podia sair da ilha? Nunca falaram de uma regra que o impedisse de sair da ilha (note que sempre falam das coisas "proibidas" citando nominalmente "são as regras", ou "regras impedem que os dois se matem").

O que realmente me incomodou foram três coisas:
- a súbita importância do Jack nos últimos episódios. Ele já havia perdido a importância em relação às outras subtramas, não era mais "o protagonista". Mas aparentemente, gostaram da idéia de colocá-lo como grande herói. Não curti, não gostava tanto assim dele.
- a súbita desimportância do Desmond e de tudo que dizia respeito a ele. Depois que ele entra na caverna e tira a rolha da ilha, acabou. E não podia ser assim, ELE era a singularidade, não o Jack! Ele tinha que ser o salvador, ou seja lá o que for. E a relação com a Penny, que poderia ser um grande fio condutor da história, foi deixada em segundo plano.
- o sumiço completo do Michael e do Walt. Eu achava que o Walt era importante!

Tirando isso, a parte boa é que fiz uma focaccia in-crí-vel e super simples para comermos enquanto assistíamos. Um ovo, fermento de pão, 500g de farinha, uma colher de açúcar e o quanto baste de sal e água morna. Deixe crescer uma vez numa bacia, outra vez já aberta em uma forma untada com bastante (BASTANTE MESMO) azeite. Cobrir com o que tiver de gostoso na geladeira, o que no nosso caso significou cebola, tomatinhos, alecrim e alho torrado.

Mudando template

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Decidi mudar o Jornal do Bicho e o picoli.com.br (quando tiver um blog, claro) para o Wordpress, mas manter este blog aqui no Blogger básico mesmo. Então fui procurar um novo template, mais bonitinho e ainda assim bem legível. Ainda tem uns undefined aqui e ali, umas coisas pra mudar, mas foi bem facinho. O processo todo (escolher, baixar, instalar) não levou mais que 20 minutos.
Comecei a busca no Blogger Templates usando o científico critério "violet", mas aí me perdi e comecei a ver uns templates adaptados do Wordpress. Fiquei entre o Classy Pink, o Stardust e este daqui, o Wild Moon. Gostei principalmente da legibilidade do texto, que para mim é fundamental. Agora vamos ver o que dá pra fazer com esse bicho aqui.
Update: não consigo arrumar a data por nada deste mundo. Sabia que não podia ser tão fácil!

As coisas nunca acontecem como planejamos

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Fiquei algum tempo pensando sobre o que escrever aqui. Ia falar sobre minha rotina, sobre as gatas, sobre o apartamento novo, mas isso não interessa a ninguém além do meu marido e amigos mais próximos. Minha vida não é tão interessante assim, sabe? Não tem acontecimentos emocionantes. Não tem "cachorro morde homem", embora tenha gatas mordendo pessoas em algumas ocasiões.
A minha principal briga pessoal esses dias tem sido organizar minha rotina. Tem gente que não gosta, mas eu preciso de uma. Preciso de um mínimo de horários, ou de compromissos semanais ao redor dos quais eu possa organizar tudo. Então tenho tentado criar sistemas de regras para que eu tenha a ilusão de controle de que eu tanto preciso.

As regras inventadas até o momento são:
- Todos os dias, fazer uma lista escrita de coisas importantes a fazer. Podem ser lembretes de coisas rápidas, como "marcar médico", ou algo mais demorado como "escrever no blog". Desta lista, tenho direito a não fazer um item. Claro, tomando cuidado para não ser algo que precisa impreterivelmente ser feito neste dia, como pagar uma conta.
- Tenho o hábito de pegar muito táxi para trajetos curtinhos, de R$10, mais ou menos. E como tem alguns dias em que eu fico muito tempo fora de casa, acabo comendo alguma coisa na rua. Agora eu preciso escolher: se pego um táxi, não posso comer. Se eu como, não posso pegar táxi. Simples assim.

A terceira regra, que estou criando neste exato momento, é escrever neste blog pelo menos uma vez por semana. Nem que for para falar da minha pouco emocionante rotina.

De volta

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Calma aí que segunda-feira estou de volta. Vida nova, posts novos, talvez novo layout e até novo foco para o blog. Enquanto isso, aproveitem os posts antigos. Reli alguns e tem coisa interessante, como estes posts aqui:
A vingança da Dona Florinda (ou: não subestime uma mulher na hora de falar de micro).
Alguns posts feministas: este, este e este.
Um review sobre o notebook Intelbras i62, que acho que só eu tenho no universo inteiro.
E, pra quem joga World of Warcraft, um post bem simples sobre escolha de profissões.

Semana que vem falo um pouco da minha experiência com uma personagem pacifista no WoW e dos outros projetos (alguns sérios, outros nem tanto) em andamento.

O dia em que eu fiquei velha

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Começou com música brega. Antes eu procurava canções de dor de cotovelo canastronas pelo prazer da risada, mas aí comecei a encontrar prazer de verdade nelas. Virei aquela coisa estranha, uma pessoa de gosto "eclético". Depois, foram as semanas de moda. Parei de achar graça nos revivals dos anos 80. Nos últimos anos, ainda apareceram os primeiros sinais de uma futura artrite e, há poucos meses, os primeiros cabelos brancos. E comecei a falar coisas que só os matusaléns diziam, "na minha época", "antigamente".
Mas não foi aí que eu fiquei velha. Isso só aconteceu hoje, quando o Michael Jackson morreu. Me senti com 120 anos. Cresci com o Michael, com sua música e suas loucuras, e agora ele foi embora. Tão jovem, tão louco, tão genial, tão doente, tão tudo. E aquela camiseta que eu e o Marcos pretendíamos fazer, "VOLTA MICHAEL", ficou totalmente sem sentido agora. Não só porque ele não vai voltar. Mas porque não combina mais com pessoas tão velhas como nós.

For da horde!

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Mountain Dew Game Fuel Horde Banner

Já viram a tal promoção da Mountain Dew + WoW? Achei legal, apesar dos prêmios não valerem pra quem tá fora dos EUA. Mesmo assim, diz a lenda, vão dar um pet promocional ingame pra todo mundo. Até agora não vi cheiro do pet, mas como a promoção é divertida, não custa colocar um bannerzinho, né? Se estivéssemos nos EUA, poderíamos usar essas tokens pra participar de sorteios de prêmios muito bacanas.
Dica: na hora de se cadastrar, dê um endereço dos Estados Unidos.

True love waits

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Daqui.

Homens e gatos

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"Sorry, Fido, it´s just a guy thing"
- artigo do NYTimes falando sobre a tendência de mais homens estarem assumindo publicamente seu amor por gatos.

Cute and cuter - fotos de homens em poses "fofas". Aqui coloquei a tag CAT pra vocês verem os homens com gatinhos.

Via Reino D´Almofada.

Já postei isso lá no Jornal do Bicho, mas aqui cabe mais um comentário. Quando falo que machismo é algo entranhado na nossa cultura e que prejudica homens e mulheres, não é tão fácil de visualizar. Afinal, geralmente só vemos quando as mulheres que são prejudicadas. Mas a idéia de que homens heterossexuais não podem gostar de gatos é um bom exemplo dessa idiotice de ficar definindo o que é "homem de verdade" ou "mulher de verdade".