O dia em que eu fiquei velha

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Começou com música brega. Antes eu procurava canções de dor de cotovelo canastronas pelo prazer da risada, mas aí comecei a encontrar prazer de verdade nelas. Virei aquela coisa estranha, uma pessoa de gosto "eclético". Depois, foram as semanas de moda. Parei de achar graça nos revivals dos anos 80. Nos últimos anos, ainda apareceram os primeiros sinais de uma futura artrite e, há poucos meses, os primeiros cabelos brancos. E comecei a falar coisas que só os matusaléns diziam, "na minha época", "antigamente".
Mas não foi aí que eu fiquei velha. Isso só aconteceu hoje, quando o Michael Jackson morreu. Me senti com 120 anos. Cresci com o Michael, com sua música e suas loucuras, e agora ele foi embora. Tão jovem, tão louco, tão genial, tão doente, tão tudo. E aquela camiseta que eu e o Marcos pretendíamos fazer, "VOLTA MICHAEL", ficou totalmente sem sentido agora. Não só porque ele não vai voltar. Mas porque não combina mais com pessoas tão velhas como nós.

One Response to “O dia em que eu fiquei velha”

  1. You says:

    Não, ceis tão muito jovens ainda.

    Isso tudo é culpa da hipoteca.

    Ceis vão estar velhos mesmo quando morrer alguém da infância de vcs e vcs falarem "Uia, AINDA tava vivo?"