
Imagem: Chavesweb.com
Troquei a placa de vídeo do desktop de casa e lembrei da dor de cabeça que placas de vídeo me deram nos últimos anos. As placas, não. As pessoas que as instalaram.
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Quando mudei pro Rio uma das primeiras coisas que fiz foi montar um micro. O do Marcos era podrinho, precisávamos de algo melhor. Em SP eu não costumava fazer isso, tinha meu irmão pra resolver esse tipo de coisa, mas aqui eu tive que aprender um pouco sobre hardware pra me virar sozinha. Escolhi um computador bom, nada fantástico, mas com um belo monitor, uma placa de vídeo razoável e um processador decente. Foi a primeira vez que mandei os emails, fiz as ligações, dei o cheque e busquei o micro. Tudo sozinha. Mulher comprando micro, iei!
Acontece que os carinhas não estão acostumados com uma tia que nem eu comprando micro que sirva pra algo além de trocar receitas com as amigas na internet. Então resolveram abusar. Colocaram uma placa de vídeo que não funcionava direito, crentes que eu jamais iria descobrir. Afinal, ver foto de gatinho precisa de placa de vídeo boa? Não! Mas eu descobri. Voltei no estande, trocaram a placa sem perguntas. Ponto final.
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Em 2007, quando acabei de pagar minhas dívidas, comprei outro micro. Desta vez investi em um top de linha com um processador quad-core, bastante memória, HD bonzão, monitor bacana e uma placa de vídeo acima da média - na época, uma GeForce 8600 GT com 512 Mb. Eu já jogava WoW e queria o melhor que meu dinheiro pudesse pagar.
Quando liguei o micro, o mesmo problema: a placa de vídeo instalada não era a que eu tinha comprado. Mas dessa vez eu queria dar aos carinhas da loja algo pra se lembrar. Odeio que assumam que eu não sei do que estou falando pq sou mulher.
Liguei lá com a voz mais inocente do mundo e falei que "devia ter acontecido algum engano". Vesti meu modelito dona Florinda - vestido floridinho, lenço na cabeça, havaianas. Só faltou o avental e os bobes no cabelo. Tudo pra ficar com a cara menos tecnológica possível, uma cara de "meu filho me mandou levar esse troço, mas eu não sei o que é". Coloquei o micro numa sacola de feira e peguei um táxi pra lá.
Os rapazes da manutenção me receberam de forma um pouco arrogante, meio que me ignorando, "até parece que ela sabe do que está falando". Receberam a nota fiscal, pegaram meu gabinete da sacola de feira e já arregalaram os olhos - "ah, então O QUAD é seu?". Pelo jeito não tinha muita gente que comprava processador fodão naquela época. Continuei falando inocentemente "deve ter havido um engano", e eles trocaram a placa. Juro, na cara de um dos técnicos estava escrito: "ela não vai nem notar a diferença".
Fiquei quietinha um tempo e aí quebrei o silêncio com uma pergunta pro primeiro técnico - o mais arrogante, por sinal. "Essas partições de 20 Gb já vem com o Vista ou vcs que setaram elas?". Ele não escondeu a surpresa - "você sabe o que é partição?!" - e falou que era pré-setado. Comentei que não teria pq eu comprar um micro bom desses, com um HD tão grande, se fosse pra usar só 20 Gb. Nisso o segundo técnico já havia parado de fazer o que estava fazendo.
Aí começou o show. O primeiro técnico falou meio que zombando "pq não aproveita e compra já 8Gb de memória?". Tive que começar um discurso sobre não haver jogos que utilizassem todos os núcleos do processador e que o Vista não sabia gerenciar mais do que 4 Gb de memória. Não que eu soubesse exatamente do que estava falando, mas dei uma pesquisada antes pra falar com a maior segurança do mundo. Os dois técnicos não esconderam a surpresa. Como assim a dona Florinda sabe tanto de micro? Fiquei com vontade de pegar o celular e ainda ligar pra minha irmã pra falar de raid e soltar mais umas siglas e jargões inesperados pra eles, mas achei que já estava de bom tamanho. O segundo técnico fechou o micro e me ajudou a carregá-lo de volta pro táxi. Ponto final de novo.
Não mudei o mundo, mas tenho certeza: naquele dia, devo ter sido um belo assunto de bar pra dois técnicos de computador.
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Lição de casa: não subestime a dona Florinda
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World of Warcraft top 5 political contributions in 2008
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RIP Bettie Page

1923 - 2008
Mais informações aqui. E um vídeo fofinho aqui. É tão inocente que dá até pra ver no trabalho.
Fonte da imagem.
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Normalistas e briga de travesseiros
Imagem da Corbis
Já viram o Google Zeitgeist deste ano? Tá aqui, ó.
Pra quem não sabe, esse negocinho mostra as palavras mais buscadas no Google durante o ano. Não é lá muito científico, mas é um bom indicativo de interesses e tendências dos internautas.
Agora vejam só como está a lista de mais pesquisados do Brasil:
Mais Pesquisados (Most Popular)
- jogos de meninas
- naruto
- you tube
- claro
- youtube
- jogos
- jogo
- esporte
- tradutor
- o dia
Quer dizer que temos um público em potencial para esses tais "jogos de meninas" muito acima de qualquer expectativa ou imaginação fértil de bichos-grilos como eu. Chutando uns 50% de internautas do sexo feminino, seriam uns 12 milhões de mocinhas e moçonas ávidas por joguinhos que não as tratem como objetos e não tenham apenas carros, peitões e armas fálicas.
E aí, quem se arrisca a investir nesse público?
Ps: ok, eu sei que a "estatística" foi bem chutada. Mas acho que deu pra entender.
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De novo
Olha só como são as coisas. Há um tempo eu me peguei defendendo passionalmente a Mulher Melancia. Fiz um desabafo porque não agüentava mais ouvir o pessoal falando que ela era tudo de ruim no mundo, entre outras coisas (principalmente, segundo o discurso daquele dia) por ser "gorda". Disse que toda vez que justificam a "vulgaridade" dela com gordura ou que dizem que ela não mereceria estar na capa de uma Playboy (agora, duas) por ser "gorda" eles estavam me ofendendo pessoalmente. Bem, ela foi mexida no Photoshop, mas quem não é? Ela é cadeiruda sim, e daí? A Playboy não coloca mulher na capa pra perder dinheiro. Se eles colocaram, é porque arriscam que o público deles vai curtir muito. Se ela é vulgar? Depende, o que é vulgar? Chacoalhar a bunda pra uma câmera? Então porque uma mulata no carnaval não é "vulgar"? E o tal do MC que criou e cantou a música que trouxe fama pra ela? Por que não está sendo julgado com a mesma medida pela "vulgaridade"? Ou falar "créu" agora é coisa de gente fina? Bem, o fato é que eu subi nas tamancas pra defender a Watermelon Girl e o direito dela fazer o que bem entender com sua própria bunda. Não importa o tamanho que ela tenha.
Só lembrando, Benefits Supervisor Sleeping, de Lucian Freud, bateu o recorde de um quadro de artista vivo, U$ 33,64 milhões. Mais uma prova de que não importa se você acha feio ou bonito, as gordas valem muito (pun intended).
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Agora vou defender a Bruna Surfistinha. Sabe, tenho super pé atrás com best sellers de qualquer tipo e nunca imaginei que ela soubesse escrever minimamente bem. Mas, pelo blog dela, acho que sabe sim. Fui ler depois que a Rosana Hermann ter citado com tintas preconceituosas um post. E não é a primeira vez que ela cita a Bruna Surfistinha de forma preconceituosa, jocosa e principalmente imprecisa (ela sempre chama a Bruna de "garota de programa", sendo que ela é uma EX-garota de programa).
O que me tira do sério é, primeiro, estigmatizarem ela como garota de programa. Quer dizer que uma vez puta, puta pra sempre. Não importa que ela escreva, dê palestras, participe de debate, abra loja, tenha uma grife, vire presidente de um país ou encontre a cura do câncer. Na cabecinha fechada da maioria dos "queridos leitores" que comentaram lá, ela vai ser garota de programa pra sempre.
Depois, e se ela ainda trabalhasse no ramo? Prostituição é legal no Brasil, você pode até colocar esta função na sua declaração de Imposto de Renda, se quiser. As mesmas pessoas que criticaram e disseram que "não tem interesse em saber da vida de uma garota de programa" devem ter clicado no link, lido tudo, até os arquivos, e depois apareceram pra fazer beicinho e voltar a falar de como Sex and the city é moderno e tal. Não agüento.
Sobre o blog da Bruna Surfistinha: a menina não vai pra Academia Brasileira de Letras nem ganhar um Pullitzer, mas pô, dá de 10 a zero em uns 95% dos blogs brasileiros. Os posts são longos e seriam melhor aproveitados se um editor cortasse os postões em postinhos. Mas no geral é legal, sim.
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O que tem de errado com o humor na TV?
Nunca vi um programa tão chato e preconceituoso quanto aquele Sai de Baixo novo (não sei o nome). Vi dois blocos do programa pq notei o tema, que me interessa, e vi a Norma Bengell fazendo papel de Daisy, uma "sapatona". Em dois blocos vi uma empregada sulista caipira que dorme no emprego num quartinho e tem medo de ser 1) atacada pela dona Daisy , 2) apanhar de pitboy e 3) ser estuprada por um "negão" na piscina; vi uma sapatona "femininamente prejudicada" ser tratada esteriotipadamente (tenho certeza de que o que ela fez, os homens da série já fizeram pior várias vezes, talvez até naquele mesmo episódio); vi uma manicure oportunista e fútil (isso já é um clichê também, né?); vi um dentista (?) e sua mulher serem consumidos pela típica culpa de uma classe média que se acha esclarecida e adere ao politicamente correto sem mudar um milímetro nas atitudes. E vi também um monte de outras bobagens com adolescentes, candidatas mulheres, pais de família e muito mais. É muita coisa pra falar de uma vez só.
Antes eu já tinha visto um pedacinho de nada do Casseta e Planeta e também não consegui rir. Putz, eu gostava mesmo do C&P, mesmo nas fases em que diziam que eles já estavam caídos. Mas agora fico pensando que eles deviam ter parado quando o Bussunda morreu pra tentar pelo menos sair um pouco por cima.
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Olha, eu queria entender o que acontece com os programas de humor hoje em dia. Eu sou uma pessoa bobona e dou risada o dia inteiro. O Marcos tá de prova, ele vai até criar rugas de tanto rir comigo. E pelo menos uns 70% do que me faz rir não denigre a imagem de ninguém. Eu rio de gato, de cachorro, de filme, de jornal (adoooro conversar com telejornal), de mim, do Marcos, do mundo todo, do que acontece de verdade e do que acontece só na minha cabeça. Então como dois programas SEGUIDOS de humor não conseguem me arrancar nenhuma risada? Nem um sorrisinho.
Engraçado mesmo tá O Aprendiz 5, Caheroes do coração (eu vi a mulher-aranha!) e o CQC. Que não são, em tese, programas de humor.
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Homophobia makes me want to suck dick
Meu post da semana passada no Meiobit Games deu o que falar. Era sobre racismo, e eu achei que a maioria absoluta concordasse com o ponto de vista que coloquei lá.
Bem, não foi o que aconteceu. O bicho pegou por lá, mais de 100 comentários num fim de semana, que são os dias de menor acesso do blog. Tudo isso me desgastou muito a ponto de, associado a outras coisas chatinhas, acabar com meu sábado. A maior parte, de pessoas não entendeu exatamente o ponto. Uma parte grande que acha que o racismo praticamente não existe mais e é a postura de vítima dos negros que causa mais racismo. Outros que acham que sofrem discriminação por serem brancos da mesma forma que os negros sofrem. Alguns poucos discutiram pontos menores e periféricos, mas ainda assim importantes (como o conceito de raça). Mas uma minoria barulhenta apareceu por lá só pra isso mesmo: fazer barulho.
Isso me fez lembrar de um post que li num dos meus recentes blogs favoritos, Escreva Lola Escreva. Ela cita um escritor hétero que falou "homophobia makes me want to suck dick". É isso mesmo. Quanto mais idiotas e estúpidos são os comentários, mais razão eu tenho. A cada "volta pro teu negão, sua mal comida", mais vontade eu tenho de expor minhas opiniões de forma educada e embasada. E a cada mostra de confiança no anonimato e impunidade na internet, mais vontade eu tenho de processar umas pessoas por racismo e difamação.
Bem, a parte importante é: vão lá e comentem, para o bem ou para o mal. O importante é pensar sobre o assunto. O post já saiu da página principal, divulguem. E estou sentindo falta de comentários de mulheres por lá. Depois falam que a gente não se manifesta pra nada, hein!
É isso.
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Escola Base
"Resta que eles supõem nossa cumplicidade, contam com ela. Gritam seu ódio na nossa frente para que, todos juntos, constituamos um grande sujeito coletivo que eles representariam: "nós", que não matamos Isabella; "nós", que amamos e respeitamos as crianças -em suma: "nós", que somos diferentes dos assassinos; "nós", que, portanto, vamos linchar os "culpados".
Em parte, a irritação que sinto ao contemplar a turma do "pega e lincha" tem a ver com isto: eles se agitam para me levar na dança com eles, e eu não quero ir.
As turbas servem sempre para a mesma coisa. Os americanos de pequena classe média que, no Sul dos Estados Unidos, no século 19 e no começo do século 20, saíam para linchar negros procuravam só uma certeza: a de eles mesmos não serem negros, ou seja, a certeza de sua diferença social.
O mesmo vale para os alemães que saíram para saquear os comércios dos judeus na Noite de Cristal, ou para os russos ou poloneses que faziam isso pela Europa Oriental afora, cada vez que desse: queriam sobretudo afirmar sua diferença".
Da coluna do Contardo Calligaris de ontem, na Folha.
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