Mostrando postagens com marcador pesquisas. Mostrar todas as postagens
Normalistas e briga de travesseiros
Imagem da Corbis
Já viram o Google Zeitgeist deste ano? Tá aqui, ó.
Pra quem não sabe, esse negocinho mostra as palavras mais buscadas no Google durante o ano. Não é lá muito científico, mas é um bom indicativo de interesses e tendências dos internautas.
Agora vejam só como está a lista de mais pesquisados do Brasil:
Mais Pesquisados (Most Popular)
- jogos de meninas
- naruto
- you tube
- claro
- youtube
- jogos
- jogo
- esporte
- tradutor
- o dia
Quer dizer que temos um público em potencial para esses tais "jogos de meninas" muito acima de qualquer expectativa ou imaginação fértil de bichos-grilos como eu. Chutando uns 50% de internautas do sexo feminino, seriam uns 12 milhões de mocinhas e moçonas ávidas por joguinhos que não as tratem como objetos e não tenham apenas carros, peitões e armas fálicas.
E aí, quem se arrisca a investir nesse público?
Ps: ok, eu sei que a "estatística" foi bem chutada. Mas acho que deu pra entender.
Category comentário geral, pesquisas, verdades supremas
Estatísticas
O G1 publicou mais uma daquelas matérias que contribuem com a idéia errada de que são só os homens que jogam. A idéia geral é que as moças, quando jogam, no máximo acompanham os maridos/namorados/irmãos. E, no geral, que as moças não gostam de jogos.
Tudo errado! Bem, vamos às estatísticas.
- Algumas coisas realmente continuam sendo "de homem". Pra Sony, according to their internal data, 92% of registered PSN gamers are male. Only 4% are female, e mais 4% são "unidentified" (mocinhas escondidas?). Daqui. A dúvida é: quando tem duas pessoas que jogam em casa, quem se registra na PSN? Ou os dois fazem cadastros?
- Os jogadores não são mais molequinhos de 12 anos: according to ESA 70 percent of gamers are over 18;
- A maioria masculina não é mais "esmagadora": 62 percent are male (38% de mulheres não é bolinho não);
- Jogos casuais são coisa nossa: 76 percent of casual gamers are female. Daqui.
- Update: mais dados sobre casual games aqui.
A conclusão: apesar de certos tipos de jogos (não todos, e, posso arriscar, nem mesmo a "maioria esmagadora") continuarem sendo predominantemente masculinos, acho que já somos bem grandinhos pra não generalizar. A indústria tem apostado cada vez mais em jogadores casuais ("coisa de mulher", dizem as pesquisas), o que faz pensar que, num futuro próximo, o cenário vai mudar ainda mais.
Clica aqui pra ler a matéria e deixe um comentário revoltado :)
Além disso, perguntem pro meu marido se ele conhece mais homens ou mulheres que jogam :)
Category notícias, pesquisas, questão de gênero
Off-topic - Pra quem acha que não existe machismo
Pra quem acha que não existe mais machismo, que "as mulheres conseguiram seu lugar na sociedade" e "estão enfeitando o mercado de trabalho em funções que antes eram exclusivamente masculinas", uns dados do IBGE que ainda chocam:
- As mulheres são 53,5% da população brasileira em idade economicamente ativa, mas ocupam somente 44,4% dos postos de trabalho.
- O desemprego atinge mais as mulheres: nas regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, são 1 milhão de mulheres desempregadas, contra 773 mil homens.
- Uma trabalhadora brasileira recebe 71,3% do salário de um homem pelo mesmo trabalho.
- Entre as mulheres, 37,8% tem carteira assinada em empresa do setor privado. Entre os homens, são 48,6%.
- A desigualdade aumenta nos níveis mais altos: apenas 3% das mulheres são empregadoras.
Aí vocês poderiam falar: mas isso é por que as mulheres estão menos qualificadas pro mercado de trabalho. Mentira! O percentual de trabalhadoras com ensino médio completo aumentou de 51,3% para 59,9%. Entre os homens, no mesmo período, o índice aumentou de 41,9% para 51,9%.
...
Aí você pensa: empregadas domésticas, vendedoras, babás, profissionais com qualificação acima da necessária. Isso não tem nada a ver comigo, garota de classe média, bem educada, criada em um meio liberal, trabalhando em empresa de tecnologia, blablabla. Pois aí é que você se engana e a água bate na bunda. A pesquisa mostra também que uma mulher com curso superior tem salário em média 40% inferior ao de um homem na mesma função. QUARENTA. Em média, recebemos quase metade do salário de um homem, que além de fazer exatamente a mesma coisa, não tem que lidar com TPM, com a pressão pra ser doce e "feminina" o tempo todo e, principalmente, pra ser gatinha, gostosuda ou pelo menos "bem cuidada" em todas as situações.
Não é o que acontece onde eu trabalho, felizmente. Mas aqui, nas posições de decisão, temos 3 homens e 1 mulher. Isso significa algo?
O resto da pesquisa tem no UOL.
...
Esse post é uma alfinetada direta em quem diz que é "feminina" e não "feminista". Vocês estão perpetuando o SEU salário 40% menor, mas o MEU também. E o das minhas amigas, das minhas futuras filhas, de todas as mulheres.
Enquanto vocês continuarem se esquivando das questões de gênero (seja quanto ao modo de educar filhos quanto ao comprimento da saia que você pode usar ou aos políticos que você elege), estamos perpetuando isso aí. Enquanto acharmos que machismo "não existe" ou "é assim mesmo" e que as diferenças biológicas justificam um monte de diferenças nas oportunidades de vida, estamos nos conformando em ganhar 40% menos que um homem.
E terminamos aqui um post adiantado de Dia Internacional da Mulher. Que, afinal, foi criado pra pensar nessas coisas, e não pra ganhar rosas vermelhas na rua ou bombom de sobremesa no restaurante.
...
Update: este post acabou participando, tardiamente, da Blogagem Coletiva pela Valorização da Mulher (ou algo assim). Saibam mais nos sites-mãe: http://universodesconexo.wordpress.com/ e www.meiroca.com
Category pesquisas, questão de gênero
G.I.R.L
Em uma iniciativa para aumentar diversidade na indústria de games, a Sony está oferecendo uma bolsa de estudos para uma garota que jogue. Se você é americana, joga e pretende cursar artes, taí.
O site do projeto é este e a notícia veio daqui.
...
Do site do projeto:
- 61% of students surveyed believe male dominance in the industry is a deterrent to women pursuing a career in gaming
- 42% of those surveyed would like to see women portrayed as leaders in video games
- 35% of the students surveyed want to create more games that are fun and interesting for women to play
- 31% of those surveyed want to become involved in gaming because more women need to represent the industry
Eu acho WoW um dos jogos mais igualitários nas representações femininas, a desPEITO das representações um pouco sensuais demais das personagens femininas. Não temos itens que são exclusivos de um gênero, ambos têm os mesmos "poderes", temos líderes de raças mulheres. E a mecânica de jogo é divertida, violenta se você quer violência, sossegada se você não gosta de quebra-pau, e outras variações que eu acho que atendem, sim, às demandas femininas e às de diversos públicos.
Mas talvez eu que seja meio peixe fora d´água. O que são "demandas femininas" em um jogo?
Category pesquisas, questão de gênero
