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Homens e gatos

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"Sorry, Fido, it´s just a guy thing"
- artigo do NYTimes falando sobre a tendência de mais homens estarem assumindo publicamente seu amor por gatos.

Cute and cuter - fotos de homens em poses "fofas". Aqui coloquei a tag CAT pra vocês verem os homens com gatinhos.

Via Reino D´Almofada.

Já postei isso lá no Jornal do Bicho, mas aqui cabe mais um comentário. Quando falo que machismo é algo entranhado na nossa cultura e que prejudica homens e mulheres, não é tão fácil de visualizar. Afinal, geralmente só vemos quando as mulheres que são prejudicadas. Mas a idéia de que homens heterossexuais não podem gostar de gatos é um bom exemplo dessa idiotice de ficar definindo o que é "homem de verdade" ou "mulher de verdade".

Lição de casa: não subestime a dona Florinda

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Imagem: Chavesweb.com

Troquei a placa de vídeo do desktop de casa e lembrei da dor de cabeça que placas de vídeo me deram nos últimos anos. As placas, não. As pessoas que as instalaram.
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Quando mudei pro Rio uma das primeiras coisas que fiz foi montar um micro. O do Marcos era podrinho, precisávamos de algo melhor. Em SP eu não costumava fazer isso, tinha meu irmão pra resolver esse tipo de coisa, mas aqui eu tive que aprender um pouco sobre hardware pra me virar sozinha. Escolhi um computador bom, nada fantástico, mas com um belo monitor, uma placa de vídeo razoável e um processador decente. Foi a primeira vez que mandei os emails, fiz as ligações, dei o cheque e busquei o micro. Tudo sozinha. Mulher comprando micro, iei!
Acontece que os carinhas não estão acostumados com uma tia que nem eu comprando micro que sirva pra algo além de trocar receitas com as amigas na internet. Então resolveram abusar. Colocaram uma placa de vídeo que não funcionava direito, crentes que eu jamais iria descobrir. Afinal, ver foto de gatinho precisa de placa de vídeo boa? Não! Mas eu descobri. Voltei no estande, trocaram a placa sem perguntas. Ponto final.
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Em 2007, quando acabei de pagar minhas dívidas, comprei outro micro. Desta vez investi em um top de linha com um processador quad-core, bastante memória, HD bonzão, monitor bacana e uma placa de vídeo acima da média - na época, uma GeForce 8600 GT com 512 Mb. Eu já jogava WoW e queria o melhor que meu dinheiro pudesse pagar.
Quando liguei o micro, o mesmo problema: a placa de vídeo instalada não era a que eu tinha comprado. Mas dessa vez eu queria dar aos carinhas da loja algo pra se lembrar. Odeio que assumam que eu não sei do que estou falando pq sou mulher.
Liguei lá com a voz mais inocente do mundo e falei que "devia ter acontecido algum engano". Vesti meu modelito dona Florinda - vestido floridinho, lenço na cabeça, havaianas. Só faltou o avental e os bobes no cabelo. Tudo pra ficar com a cara menos tecnológica possível, uma cara de "meu filho me mandou levar esse troço, mas eu não sei o que é". Coloquei o micro numa sacola de feira e peguei um táxi pra lá.
Os rapazes da manutenção me receberam de forma um pouco arrogante, meio que me ignorando, "até parece que ela sabe do que está falando". Receberam a nota fiscal, pegaram meu gabinete da sacola de feira e já arregalaram os olhos - "ah, então O QUAD é seu?". Pelo jeito não tinha muita gente que comprava processador fodão naquela época. Continuei falando inocentemente "deve ter havido um engano", e eles trocaram a placa. Juro, na cara de um dos técnicos estava escrito: "ela não vai nem notar a diferença".
Fiquei quietinha um tempo e aí quebrei o silêncio com uma pergunta pro primeiro técnico - o mais arrogante, por sinal. "Essas partições de 20 Gb já vem com o Vista ou vcs que setaram elas?". Ele não escondeu a surpresa - "você sabe o que é partição?!" - e falou que era pré-setado. Comentei que não teria pq eu comprar um micro bom desses, com um HD tão grande, se fosse pra usar só 20 Gb. Nisso o segundo técnico já havia parado de fazer o que estava fazendo.
Aí começou o show. O primeiro técnico falou meio que zombando "pq não aproveita e compra já 8Gb de memória?". Tive que começar um discurso sobre não haver jogos que utilizassem todos os núcleos do processador e que o Vista não sabia gerenciar mais do que 4 Gb de memória. Não que eu soubesse exatamente do que estava falando, mas dei uma pesquisada antes pra falar com a maior segurança do mundo. Os dois técnicos não esconderam a surpresa. Como assim a dona Florinda sabe tanto de micro? Fiquei com vontade de pegar o celular e ainda ligar pra minha irmã pra falar de raid e soltar mais umas siglas e jargões inesperados pra eles, mas achei que já estava de bom tamanho. O segundo técnico fechou o micro e me ajudou a carregá-lo de volta pro táxi. Ponto final de novo.
Não mudei o mundo, mas tenho certeza: naquele dia, devo ter sido um belo assunto de bar pra dois técnicos de computador.

Referencial

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Eu sou uma mulher que escolhe a roupa que vai sair não dependendo da moda ou do clima; escolhe a roupa pensando nos lugares onde poderá ser bolinada. Por isso acho que homem nenhum pensou assim: se vou sair no horário em que funcione o vagão só de homens, vou de calça clara ou bermuda; fora desse horário eu vou ter que me vestir como se fosse o meu avô, casacão e óculos.

Não conheço homem nenhum que não consiga sentar num restaurante/bar/café sozinho antes que apareça alguém "pra fazer companhia". Nem que tenha alguma dificuldade em se fazer entender quando diz "Não, não estou interessado" e similares. No cinema, ele não troca de lugar por causa das atividades extra-cinéfilas do cidadão ao lado que o sujam ou às suas roupas.

Nunca meu irmão chegou em casa dizendo que tinham dito "Quero ver você peladinho", "Hum, que tesão te chupar todinho" e coisas parecidas assim, do nada, no meio da rua. Nunca se sentiu em estado de choque porque isso foi dito na frente das suas filhas (incluídas, algumas vezes, no pacote de frases da criatura em questão).

Nunca um amigo meu se sentiu ofendido por ouvir "Homem ao volante, perigo constante", "Louro burro", "Deu pra todas as meninas? É um vadio/piranho/fácil". Nunca se leu notícia nenhuma que um assassino, depois de surrar um homem covardemente, jogou sobre o cadáver dinheiro para a polícia pensar que ele era "só" um prostituto. Ou que cresce o número de rapazes vítimas de bulimia/anorexia.

Meus amigos nunca ouviram na escola "Você é um elefante; aprenda a ser gostoso como seu irmão." Jamais passaram pelo "teste da sunga" para namorada nenhuma. Jamais foram preteridos em emprego por ter o cabelo assim ou a cintura assada. Em hipótese alguma, jamais, ganharam menos do que a colega de função.

Eles ligam a televisão e, ao que me conste, não assistem carro, seguro de saúde, prendedor de roupa, comida, refrigerante, xampu (!) sendo vendidos por um homem seminu. Não são comparados a um acessório para proporcionar prazer, como aquele célebre comercial de cerveja (fictício ou não) onde se vê alguém ser objeto de saciedade sexual de três (as costas da criatura é usada como apoio para uma garrafa de cerveja. O vídeo, no youtube, coleciona parabéns pela "criatividade").

Homem nenhum, ao usar o nome de casado (?) descobriu que, se mantiver o nome da mulher depois do divórcio, corre o risco de não poder mudá-lo se a ex morrer: para isso, tem que casar de novo, adotar o nome do novo cônjuge, separar-se e só então, poder voltar a usar somente o nome dos seus pais. Isso em pleno século XXI. Homem nenhum fica com medo quando, inadvertidamente, as filhas contam no táxi que ele é divorciado e moram só ele e as crianças.

Por fim, não conheço homem nenhum que tenha ido a uma delegacia prestar queixa contra a mulher que o surrou, humilhou, violentou - na frente dos filhos. Não conheço mulher nenhuma que, depois disso, condenada, pagou dez cestas básicas à comunidade e ficou por isso mesmo.

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A Suzana postou isso em um comentário de uma discussão na qual nos metemos. Gostei muito, achei que valia a pena guardar para futura referência. Afinal, é muito difícil para um homem branco heterossexual entender o privilégio que ele tem só por não ter nascido mulher.

No dia 8 de março, dispense a rosa

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dispense

Dia 8 de março seria um dia como qualquer outro, não fosse pela rosa e os parabéns. Toda mulher sabe como é. Ao chegar ao trabalho e dar bom dia aos colegas, algum deles vai soltar: ”parabéns”.

Por alguns segundos, a gente tenta entender por que raios estamos recebendo parabéns se não é nosso aniversário (exceção, claro, à minoria que, de fato, faz aniversário neste dia). Depois de ficar com cara de bestas, num estalo a gente se lembra da data, dá um sorriso amarelo e responde “obrigada”, pensando: “mas por que eu deveria receber parabéns por ser mulher?”.

Mais tarde, chega um funcionário distribuindo rosas. Novamente, sorriso amarelo e obrigada. É assim todos os anos. Quando não é no trabalho, é em alguma loja. Quando não é numa loja, é no supermercado. Todos os anos, todo 8 de março: é sempre a maldita rosa.

Dizem que a rosa simboliza a “feminilidade”, a delicadeza. É a mesma metáfora que usam para coibir nossa sexualidade — da supervalorização da virgindidade é que saiu o verbo “deflorar” (como se o homem, ao romper o hímen de uma mulher, arrancasse a flor do solo, tomando-a para si e condenando-a – afinal, depois de arrancada da terra, a flor está fadada à morte). É da metáfora da flor, portanto, que vem a idéia de que mulheres sexualmente ativas são “putas”, inferiores, menos respeitáveis.

A delicadeza da flor também é sua fraqueza. Qualquer movimento mais brusco lhe arranca as pétalas. Dizem o mesmo de nós: que somos o “sexo frágil” e que, por isso, devemos ser protegidas. Mas protegidas do quê? De quem? A julgar pelo número de estupros, precisamos de proteção contra os homens. Ah, mas os homens que estupram são psicopatas, dizem. São loucos. Não é com estes homens que nós namoramos e casamos, não é a eles que confiamos a tarefa de nos proteger. Mas, bem, segundo pesquisa Ibope/Instituto Patricia Galvão, 51% dos brasileiros dizem conhecer alguma mulher que é agredida por seu parceiro. No resto do mundo, em 40 a 70 por cento dos assassinatos de mulheres, o autor é o próprio marido ou companheiro.Este tipo de crime também aparece com frequência na mídia. No entanto, são tratados como crimes “passionais” – o que dá a errônea impressão de que homens e mulheres os cometem com a mesma frequência, já que a paixão é algo que acomete ambos os sexos. Tratam os homens autores destes crimes como “românticos” exagerados, príncipes encantados que foram longe demais. No entanto, são as mulheres as neuróticas nos filmes e novelas. São elas que “amam demais”, não os homens.

Mas a rosa também tem espinhos, o que a torna ainda mais simbólica dos mitos que o patriarcado atribuiu às mulheres. Somos ardilosas, traiçoeiras, manipuladoras, castradoras. Nós é que fomos nos meter com a serpente e tiramos o pobre Adão do paraíso (como se Eva lhe tivesse enfiado a maçã goela abaixo, como se ele não a tivesse comido de livre e espontânea vontade). Várias culturas têm a lenda da vagina dentata. Em Hollywood, as mulheres usam a “sedução” para prejudicar os homens e conseguir o que querem. Nos intervalos do canal Sony, os machos são de “respeito” e as mulheres têm “mentes perigosas”. A mensagem subliminar é: “cuidado, meninos, as mulheres são o capeta disfarçado”. E, foi com medo do capeta que a sociedade, ao longo dos séculos, prendeu as mulheres dentro de casa. Como se isso não fosse suficiente, limitaram seus movimentos com espartilhos, sapatos minúsculos (na China), saltos altos. Impediram-na que estudasse, que trabalhasse, que tivesse vida própria. Ela era uma propriedade do pai, depois do marido. Tinha sempre de estar sob a tutela de alguém, senão sua “mente perigosa” causaria coisas terríveis.

Mas dizem que a rosa serve para mostrar que, hoje, nos valorizam. Hoje, sim. Vivemos num mundo “pós-feminista” afinal. Todas essas discriminações acabaram! As mulheres votam e trabalham! Não há mais nada para conquistar! Será mesmo? Nos últimos anos, as diferenças salariais entre homens e mulheres (que seguem as mesmas profissões) têm crescido no Brasil, em vez de diminuir. Nos centros urbanos, onde a estrutura ocupacional é mais complexa, a disparidade tende a ser pior. Considerando que recebo menos para desempenhar o mesmo serviço, não parece irônico que o meu colega de trabalho me dê os parabéns por ser mulher?

Dizem que a rosa é um sinal de reconhecimento das nossas capacidades. Mas, no ranking de igualdade política do Fórum Econômico Mundial de 2008, o Brasil está em 10oº lugar entre 130 países. As mulheres têm 11% dos cargos ministeriais e 9% dos assentos no Congresso — onde, das 513 cadeiras, apenas 46 são ocupadas por elas. Do total de prefeitos eleitos no ano passado, apenas 9,08% são mulheres. E nós somos 52% da população.

A rosa também simboliza beleza. Ah, o sexo belo. Mas é só passar em frente a uma banca de revistas para descobrir que é exatamente o contrário. Você nunca está bonita o suficiente, bobinha. Não pode ser feliz enquanto não emagrecer. Não pode envelhecer. Não pode ter celulite (embora até bebês tenham furinhos na bunda). Você só terá valor quando for igual a uma modelo de 18 anos (as modelos têm 17 ou 18 anos até quando a propaganda é de creme rejuvenescedor…). Mas mesmo ela não é perfeita: tem de ser photoshopada. Sua pele é alterada a ponto de parecer de plástico: ela não tem espinhas nem estrias nem olheiras nem cicatrizes nem hematomas, nenhuma dessas coisas que a gente tem quando vive. Ela sorri, mas não tem linhas ao lado da boca. Faz cara de brava, mas sua testa não se franze. É magérrima (às vezes, anoréxica), mas não tem nenhum osso saltando. É a beleza impossível, mas você deve persegui-la mesmo assim, se quiser ser “feminina”. Porque, sim, feminilidade é isso: é “se cuidar”. Você não pode relaxar. Não pode se abandonar (em inglês, a expressão usada é exatamente esta: “let yourself go”). Usar uma porrada de cosméticos e fazer plásticas é a maneira (a única maneira, segundo os publicitários) de mostrar a si mesma e aos outros que você se ama. “Você se ama? Então corrija-se”. Por mais contraditória que pareça, é esta a mensagem.

Todo dia 8 de março, nos dão uma rosa como sinal de respeito. No entanto, a misoginia está em toda parte. Os anúncios e ensaios de moda glamurizam a violência contra a mulher. Nas propagandas de cerveja e programas humorísticos, as mulheres são bundas ambulantes, meros objetos sexuais. A pornografia mainstream (feita pela Hollywood pornô, uma indústira multibilionária) tem cada vez mais cenas de violência, estupro e simulação de atos sexuais feitos contra a vontade da mulher. Nos videogames, ganha pontos quem atropelar prostitutas.

Todo dia 8 de março, volto para casa e vejo um monte de mulheres com rosas vermelhas na mão, no metrô. É um sinal de cavalheirismo, dizem. Mas, no mesmo metrô, muitas mulheres são encoxadas todos os dias. Tanto que o Rio criou um vagão exclusivo para as mulheres, para que elas fujam de quem as assedia. Pois é, eles não punem os responsáveis. Acham difícil. Preferem isolar as vítimas. Enquanto não combatermos a idéia de que as mulheres que andam sozinhas por aí são “convidativas”, propriedade pública, isso nunca vai deixar de existir. Enquanto acharem que cantar uma mulher na rua é elogio , isso nunca vai deixar de existir. Atualmente, a propaganda da NET mostra um pinguim (?) dizendo “ê lá em casa” para uma enfermeira. Em outro comercial, o russo garoto-propaganda puxa três mulheres para perto de si, para que os telespectadores entendam que o “combo” da NET engloba três serviços. Aparentemente, temos de rir disso. Aparentemente, isso ajuda a vender TV por assinatura. Muito provavelmente, os publicitários criadores desta peça não sabem o que é andar pela rua sem ser interrompida por um completo desconhecido ameaçando “chupá-la todinha”.

Então, dá licença, mas eu dispenso esta rosa. Não preciso dela. Não a aceito. Não me sinto elogiada com ela. Não quero rosas. Eu quero igualdade de salários, mais representação política, mais respeito, menos violência e menos amarras. Eu quero, de fato, ser igual na sociedade. Eu quero, de fato, caminhar em direção a um mundo em que o feminismo não seja mais necessário.

…Enquanto isso não acontecer, meu querido, enfia esta rosa no dignissímo senhor seu cu.

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Longo post daqui. Na falta de tempo pra falar sobre o assunto, palavras da Marjorie. Os grifos são meus.

Amei

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Tava lá no blog do tio e eu adorei. Sempre reclamo que moças não têm modelos de mulheres bonitas e inteligentes pra seguir (não têm também modelo de mulheres gordas e descomplicadas, mas isso é assunto pra outro post). Aí tem um calendário bacaninha pra mudar essa idéia.
As moças são todas lindas e perfeitas? Nem todas. Eu não sou perfeita, a maior parte das mulheres também não é e nunca vai ser. Então porque não podemos escolher outros modelos que não se baseiem apenas na aparência?

Palavras de outros

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Não estou muito eloquente estes dias, mas algumas pessoas falaram coisas que eu gostaria de ter dito.
- A Cynthia comentou sobre a participação feminina na Campus Party. 32% do público este ano! Isso é quase um terço dos participantes, mas, mesmo assim, fica a idéia de que "não tem mulher".
- O Alessandro Martins falou sobre a diferença entre criar desejo e dar permissão e comentou, inspirado no episódio do abuso da coelhinha na Campus Party, sobre o que uma mulher tem que aguentar dos "homens médios" em uma caminhada de alguns quarteirões.
- A Lola escreveu sobre o conceito de "normalidade", que, ao contrário do que a maioria costuma imaginar, não é tão "normal" ou "natural" assim.

Você é feminista?

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1. Você concorda que uma mulher deve receber o mesmo valor que um homem para realizar o mesmo trabalho?
2. Você concorda que mulheres devem ter direito a votarem e serem votadas?
3. Você concorda que mulheres devem ser as únicas responsáveis pela escolha da profissão, e que essa decisão não pode ser imposta pelo Estado, pela escola nem pela família?
4. Você concorda que mulheres devem receber a mesma educação escolar que os homens?
5. Você concorda que pesquisas médicas devem ser feitas levando em consideração as diferenças biológicas (e principalmente hormonais) entre homens e mulheres?
6. você concorda que mulheres devem ter autonomia para gerir seu dinheiro e seus bens?
7. Você concorda que mulheres devem poder escolher se, e quando, terão filhos?
8. Você concorda que uma mulher não pode ser punida por se recusar a fazer sexo ou a obedecer ao pai ou marido?
9. Você concorda que atividades domésticas são de responsabilidade dos moradores da casa, sejam eles homens ou mulheres?
10. Você concorda que cuidar das crianças seja uma obrigação de ambos os pais?

Cada resposta sim significa assumir um ponto de vista feminista.

Já feminilidade é outra coisa, que depende de pressão cultural e dos estereótipos sobre como homens e mulheres devem agir para serem reconhecidos como homens e mulheres. Só que existem mulheres pouco femininas, e existem homens pouco masculinos, e não há nada de mal nisso. Pessoas são diferentes, simples assim. Será um grande dia quando pararmos de tratar pessoas que não se enquadram nos estereótipos como aberração.

Taí. Assino embaixo. A Cynthia Semiramis, que tem um blog muito bom que fala de algumas coisas que me interessam, fez um comentário muito decente num outro blog e eu copiei aqui. Porque se eu ouvir mais uma vez "não sou feminista, sou feminina", eu acho que mato alguém.

De novo

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Olha só como são as coisas. Há um tempo eu me peguei defendendo passionalmente a Mulher Melancia. Fiz um desabafo porque não agüentava mais ouvir o pessoal falando que ela era tudo de ruim no mundo, entre outras coisas (principalmente, segundo o discurso daquele dia) por ser "gorda". Disse que toda vez que justificam a "vulgaridade" dela com gordura ou que dizem que ela não mereceria estar na capa de uma Playboy (agora, duas) por ser "gorda" eles estavam me ofendendo pessoalmente. Bem, ela foi mexida no Photoshop, mas quem não é? Ela é cadeiruda sim, e daí? A Playboy não coloca mulher na capa pra perder dinheiro. Se eles colocaram, é porque arriscam que o público deles vai curtir muito. Se ela é vulgar? Depende, o que é vulgar? Chacoalhar a bunda pra uma câmera? Então porque uma mulata no carnaval não é "vulgar"? E o tal do MC que criou e cantou a música que trouxe fama pra ela? Por que não está sendo julgado com a mesma medida pela "vulgaridade"? Ou falar "créu" agora é coisa de gente fina? Bem, o fato é que eu subi nas tamancas pra defender a Watermelon Girl e o direito dela fazer o que bem entender com sua própria bunda. Não importa o tamanho que ela tenha.


Só lembrando, Benefits Supervisor Sleeping, de Lucian Freud, bateu o recorde de um quadro de artista vivo, U$ 33,64 milhões. Mais uma prova de que não importa se você acha feio ou bonito, as gordas valem muito (pun intended).
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Agora vou defender a Bruna Surfistinha. Sabe, tenho super pé atrás com best sellers de qualquer tipo e nunca imaginei que ela soubesse escrever minimamente bem. Mas, pelo blog dela, acho que sabe sim. Fui ler depois que a Rosana Hermann ter citado com tintas preconceituosas um post. E não é a primeira vez que ela cita a Bruna Surfistinha de forma preconceituosa, jocosa e principalmente imprecisa (ela sempre chama a Bruna de "garota de programa", sendo que ela é uma EX-garota de programa).
O que me tira do sério é, primeiro, estigmatizarem ela como garota de programa. Quer dizer que uma vez puta, puta pra sempre. Não importa que ela escreva, dê palestras, participe de debate, abra loja, tenha uma grife, vire presidente de um país ou encontre a cura do câncer. Na cabecinha fechada da maioria dos "queridos leitores" que comentaram lá, ela vai ser garota de programa pra sempre.
Depois, e se ela ainda trabalhasse no ramo? Prostituição é legal no Brasil, você pode até colocar esta função na sua declaração de Imposto de Renda, se quiser. As mesmas pessoas que criticaram e disseram que "não tem interesse em saber da vida de uma garota de programa" devem ter clicado no link, lido tudo, até os arquivos, e depois apareceram pra fazer beicinho e voltar a falar de como Sex and the city é moderno e tal. Não agüento.
Sobre o blog da Bruna Surfistinha: a menina não vai pra Academia Brasileira de Letras nem ganhar um Pullitzer, mas pô, dá de 10 a zero em uns 95% dos blogs brasileiros. Os posts são longos e seriam melhor aproveitados se um editor cortasse os postões em postinhos. Mas no geral é legal, sim.

O que tem de errado com o humor na TV?

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Nunca vi um programa tão chato e preconceituoso quanto aquele Sai de Baixo novo (não sei o nome). Vi dois blocos do programa pq notei o tema, que me interessa, e vi a Norma Bengell fazendo papel de Daisy, uma "sapatona". Em dois blocos vi uma empregada sulista caipira que dorme no emprego num quartinho e tem medo de ser 1) atacada pela dona Daisy , 2) apanhar de pitboy e 3) ser estuprada por um "negão" na piscina; vi uma sapatona "femininamente prejudicada" ser tratada esteriotipadamente (tenho certeza de que o que ela fez, os homens da série já fizeram pior várias vezes, talvez até naquele mesmo episódio); vi uma manicure oportunista e fútil (isso já é um clichê também, né?); vi um dentista (?) e sua mulher serem consumidos pela típica culpa de uma classe média que se acha esclarecida e adere ao politicamente correto sem mudar um milímetro nas atitudes. E vi também um monte de outras bobagens com adolescentes, candidatas mulheres, pais de família e muito mais. É muita coisa pra falar de uma vez só.
Antes eu já tinha visto um pedacinho de nada do Casseta e Planeta e também não consegui rir. Putz, eu gostava mesmo do C&P, mesmo nas fases em que diziam que eles já estavam caídos. Mas agora fico pensando que eles deviam ter parado quando o Bussunda morreu pra tentar pelo menos sair um pouco por cima.
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Olha, eu queria entender o que acontece com os programas de humor hoje em dia. Eu sou uma pessoa bobona e dou risada o dia inteiro. O Marcos tá de prova, ele vai até criar rugas de tanto rir comigo. E pelo menos uns 70% do que me faz rir não denigre a imagem de ninguém. Eu rio de gato, de cachorro, de filme, de jornal (adoooro conversar com telejornal), de mim, do Marcos, do mundo todo, do que acontece de verdade e do que acontece só na minha cabeça. Então como dois programas SEGUIDOS de humor não conseguem me arrancar nenhuma risada? Nem um sorrisinho.
Engraçado mesmo tá O Aprendiz 5, Caheroes do coração (eu vi a mulher-aranha!) e o CQC. Que não são, em tese, programas de humor.

Estatísticas

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O G1 publicou mais uma daquelas matérias que contribuem com a idéia errada de que são só os homens que jogam. A idéia geral é que as moças, quando jogam, no máximo acompanham os maridos/namorados/irmãos. E, no geral, que as moças não gostam de jogos.
Tudo errado! Bem, vamos às estatísticas.
- Algumas coisas realmente continuam sendo "de homem". Pra Sony, according to their internal data, 92% of registered PSN gamers are male. Only 4% are female, e mais 4% são "unidentified" (mocinhas escondidas?). Daqui. A dúvida é: quando tem duas pessoas que jogam em casa, quem se registra na PSN? Ou os dois fazem cadastros?
- Os jogadores não são mais molequinhos de 12 anos: according to ESA 70 percent of gamers are over 18;
- A maioria masculina não é mais "esmagadora": 62 percent are male (38% de mulheres não é bolinho não);
- Jogos casuais são coisa nossa: 76 percent of casual gamers are female. Daqui.
- Update: mais dados sobre casual games aqui.
A conclusão: apesar de certos tipos de jogos (não todos, e, posso arriscar, nem mesmo a "maioria esmagadora") continuarem sendo predominantemente masculinos, acho que já somos bem grandinhos pra não generalizar. A indústria tem apostado cada vez mais em jogadores casuais ("coisa de mulher", dizem as pesquisas), o que faz pensar que, num futuro próximo, o cenário vai mudar ainda mais.
Clica aqui pra ler a matéria e deixe um comentário revoltado :)
Além disso, perguntem pro meu marido se ele conhece mais homens ou mulheres que jogam :)

We´re not cute, we´re not sweet, we are THE HORDE.

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Originally uploaded by alepicoli
Eu gostaria de fazer algo referente ao dia internacional da mulher no jogo. Alguma idéia?

Passeata? Não. Gritaria? Não. Que tal... UM LINDO PREMADE PRO AV SÓ COM PERSONAGENS FEMININAS? :p

Off-topic - Pra quem acha que não existe machismo

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Pra quem acha que não existe mais machismo, que "as mulheres conseguiram seu lugar na sociedade" e "estão enfeitando o mercado de trabalho em funções que antes eram exclusivamente masculinas", uns dados do IBGE que ainda chocam:
- As mulheres são 53,5% da população brasileira em idade economicamente ativa, mas ocupam somente 44,4% dos postos de trabalho.
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O desemprego atinge mais as mulheres: nas regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, são 1 milhão de mulheres desempregadas, contra 773 mil homens.
- Uma trabalhadora brasileira recebe 71,3% do salário de um homem pelo mesmo trabalho.
- Entre as mulheres,
37,8% tem carteira assinada em empresa do setor privado. Entre os homens, são 48,6%.
- A desigualdade aumenta nos níveis mais altos: apenas 3% das mulheres são empregadoras.

Aí vocês poderiam falar: mas isso é por que as mulheres estão menos qualificadas pro mercado de trabalho. Mentira!
O percentual de trabalhadoras com ensino médio completo aumentou de 51,3% para 59,9%. Entre os homens, no mesmo período, o índice aumentou de 41,9% para 51,9%.
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Aí você pensa: empregadas domésticas, vendedoras, babás, profissionais com qualificação acima da necessária. Isso não tem nada a ver comigo, garota de classe média, bem educada, criada em um meio liberal, trabalhando em empresa de tecnologia, blablabla. Pois aí é que você se engana e a água bate na bunda. A pesquisa
mostra também que uma mulher com curso superior tem salário em média 40% inferior ao de um homem na mesma função. QUARENTA. Em média, recebemos quase metade do salário de um homem, que além de fazer exatamente a mesma coisa, não tem que lidar com TPM, com a pressão pra ser doce e "feminina" o tempo todo e, principalmente, pra ser gatinha, gostosuda ou pelo menos "bem cuidada" em todas as situações.
Não é o que acontece onde eu trabalho, felizmente. Mas aqui, nas posições de decisão, temos 3 homens e 1 mulher. Isso significa algo?
O resto da pesquisa tem no UOL.
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Esse post é uma alfinetada direta em quem diz que é "feminina" e não "feminista". Vocês estão perpetuando o SEU salário 40% menor, mas o MEU também. E o das minhas amigas, das minhas futuras filhas, de todas as mulheres.
Enquanto vocês continuarem se esquivando das questões de gênero (seja quanto ao modo de educar filhos quanto ao comprimento da saia que você pode usar ou aos políticos que você elege), estamos perpetuando isso aí. Enquanto acharmos que machismo "não existe" ou "é assim mesmo" e que as diferenças biológicas justificam um monte de diferenças nas oportunidades de vida, estamos nos conformando em ganhar 40% menos que um homem.
E terminamos aqui um post adiantado de Dia Internacional da Mulher. Que, afinal, foi criado pra pensar nessas coisas, e não pra ganhar rosas vermelhas na rua ou bombom de sobremesa no restaurante.

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Update: este post acabou participando, tardiamente, da Blogagem Coletiva pela Valorização da Mulher (ou algo assim). Saibam mais nos sites-mãe:
http://universodesconexo.wordpress.com/ e www.meiroca.com

G.I.R.L

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Em uma iniciativa para aumentar diversidade na indústria de games, a Sony está oferecendo uma bolsa de estudos para uma garota que jogue. Se você é americana, joga e pretende cursar artes, taí.
O site do projeto é este e a notícia veio daqui.
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Do site do projeto:

  • 61% of students surveyed believe male dominance in the industry is a deterrent to women pursuing a career in gaming
  • 42% of those surveyed would like to see women portrayed as leaders in video games
  • 35% of the students surveyed want to create more games that are fun and interesting for women to play
  • 31% of those surveyed want to become involved in gaming because more women need to represent the industry
No terceiro item: defina "divertido e interessante para as mulheres jogarem".
Eu acho WoW um dos jogos mais igualitários nas representações femininas, a desPEITO das representações um pouco sensuais demais das personagens femininas. Não temos itens que são exclusivos de um gênero, ambos têm os mesmos "poderes", temos líderes de raças mulheres. E a mecânica de jogo é divertida, violenta se você quer violência, sossegada se você não gosta de quebra-pau, e outras variações que eu acho que atendem, sim, às demandas femininas e às de diversos públicos.
Mas talvez eu que seja meio peixe fora d´água. O que são "demandas femininas" em um jogo?

Cansei

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Tenho visto muitos blogs em inglês falando pejorativamente das empresas de games que apostam em jogadores casuais, "velhos ativos" e "mães que jogam" (seja lá o que isso queira dizer). Tirando todos os preconceitos em relação a idade e gênero, qual o problema de ser casual? Aliás, o que é ser casual? Qual a linha que separa o jogador hardcore do casual?
Eu, por exemplo. Passo menos tempo do que gostaria com meu marido e gatas e também durmo pouco, mas isso é porque eu trabalho muito, e não porque eu jogo. Minha relação com o jogo é nerd (=um pouco obsessiva e aprofundada), mas não exclusiva. Não gosto só do WoW no mundo! Gosto de farra no jogo, de trinkets idiotas, das profissões bestinhas, mas também gosto de derrubar boss novo e chutar umas bundas no PvP.
Pra medir melhor, minha agenda costuma ser a seguinte: segunda e terça, jogo; quarta e quinta, marido; sexta e domingo, depende do programa; sábado, pelo menos um período de jogo e outro de qualquer coisa que não seja jogo. Isso tudo com umas 2 ou 3 horas de jogo em cada período.
E aí, sou casual? Ou o fato de gastar uns 20% do meu tempo jogando me faz hardcore?
E a pergunta pra responder em outra hora: se eu for casual, porque devo ser levada menos a sério por causa disso?

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